Há alguns temas que recentemente têm tirado o sono de qualquer profissional. E não é preciso arriscar muito para lembrar deles: reforma trabalhista, reforma da Previdência, reforma política, eleições para Presidência da República…

O que será da economia depois das decisões tomadas sobre esses temas? A economia persistirá na crise? Ou as empresas conseguirão desconectar-se ao menos em parte do fantasma político que mete medo no país e avançar no crescimento econômico?

Todas essas indagações assombram não só as empresas, mas todos os profissionais, sejam eles “celetistas” ou autônomos vinculados ao mercado do trabalho.

Para os que estão empregados com carteira assinada, esse fantasma é ainda mais ameaçador. Para os profissionais considerados autônomos, no sentido lato da palavra, também, embora estes disponham de certa flexibilidade comparativamente ao primeiro grupo citado: enquanto os primeiros têm relação de emprego que lhes proporciona a remuneração fixa no final de cada mês mas lhes caça a flexibilidade, os segundos têm relação de trabalho que lhes proporciona flexibilidade mas lhes caça a remuneração de seus projetos, sempre sujeitos às intempéries da economia de mercado ou do jogo político interno das empresas e suas tradicionais revisões de prioridade, entre outras questões. Como se diz na gíria: é preciso matar um leão por dia.

E não para por aí.

Acrescentamos ainda outros temas impactantes e desafiadores incorporados pela poderosa Tecnologia da Informação: Aprendizado de Máquina, Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Ciência de Dados… isto sem falar no espantoso avanço das Startups de tecnologia para negócios como as FinTechs e as EdTechs. Tudo muito bem estudado para gerar oportunidades, negócios e aplicações que devem substituir atividades humanas como nunca antes pensado:

  • Escritórios de advocacia que utilizam Inteligência Artificial para elaborar e corrigir Contratos;
  • Corporações bancárias que utilizam Máquinas que “aprendem” para gerenciar atendimentos e relacionamento com clientes;
  • Sistemas de armazenam, cruzam e analisam petabytes de dados não estruturados, com capacidade de antecipar tendências nas áreas da Saúde e Seguros;
  • Desenvolvimento de dispositivos eletrônicos acoplados em escaravelhos, transformando esses insetos em cyborgs controlados eletronicamente na busca de pessoas desaparecidas, bombas instaladas em ambientes públicos, esconderijos de criminosos;
  • “Coisas” que falam com você, gerenciam estoques domésticos e fazem compras pela internet sem você precisar pedir;
  • Redes sociais e buscadores que aprenderam quais os assuntos e temas de seu interesse, antecipando-se às suas decisões;
  • Robôs que desenvolveram dialeto próprio para conversarem entre si;
  • Cidades inteligentes;

Nesse quadro que se apresenta, ninguém está livre de sobressaltos. Não é nosso propósito defender um ou outro grupo de profissionais citados no início deste texto, mas promover reflexão sobre o impacto que o cenário atual provoca sobre todos os profissionais e empresas e o que podemos e devemos fazer para acompanhar as mudanças.

O que devemos fazer para nos atualizar?

Qual é Job to be done ou tarefa que devemos empreender para sobreviver colaborando neste mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo?

Vale a pena pensar a respeito.

(*) VUCA: termo em inglês que significa Volatility (volátil), Uncertainty (incerto), Complexity (complexo) e Ambiguity (ambíguo).

Carlos Medeiros
Consultor e Presidente da ABRACEM