Uma em cada quatro empresas fecham as portas antes de completar dois anos. Especialista aponta alguns caminhos para fugir das estatísticas

É nato do brasileiro ser criativo e empreendedor, ainda que muitas vezes a decisão de montar um negócio próprio seja por necessidade, e não por vislumbrar um produto ou serviço novo. Na maioria das vezes, empreende-se por conta da necessidade gerada em função do desemprego.

E, se não tomar cuidado e praticar uma receita básica, o sonho de ter o próprio negócio pode acabar se tornando um pesadelo para o micro e pequeno empreendedor. De acordo com estudo do SEBRAE, só no estado de São Paulo, aproximadamente, uma em cada quatro empresas registradas no CNPJ fecha antes de completar dois anos no mercado. Por setores, a maior taxa de sobrevivência é a da indústria (81,4%), seguida da construção (80,5%), comércio (76,3%) e serviços (74,1%).

Ainda dentro dessa pesquisa, mais da metade dos empreendedores não realizou o planejamento de itens básicos antes de iniciar as atividades. “É impossível empreender contando com a sorte, pois este fator é inexistente no mundo dos negócios. ‘Sorte’, na verdade, é estar devidamente preparado para atender o potencial mercado consumidor. É ter planejamento e capital de giro necessário para que a operação aguente os primeiros meses”, assegura o professor e educador financeiro, Carlos Afonso, que também é autor do livro, ‘Organize suas Finanças e Saia do Vermelho’.

No topo da lista das principais causas de mortalidade das empresas estão a falta de planejamento prévio e fraca gestão empresarial, segundo aponta as informações do SEBRAE. Além da frustração e da tristeza, ainda há a perda financeira (54% perde tudo ou parte do dinheiro investido). “Os números mostram que, sequer, um planejamento básico é feito. Logo, colocar qualquer negócio para funcionar, exige amplo estudo em diversas áreas que darão início ao plano. Finanças, vendas, marketing digital, estratégia de vendas, recursos humanos, tributação, contabilidade, custos e formação de preço de vendas são apenas algumas das áreas que é preciso atenção”, explica o Professor Carlos.

Para não ser mais um número dentro destas estatísticas, o Professor Carlos Afonso, listou algumas dicas simples, porém, valiosas a serem levadas em consideração, antes de abrir a empresa:

  • Faça um plano de negócio, detalhando todas as fases do processo, com receita projetada, gastos e expectativa do retorno do investimento;
  • Escolha um tipo de negócio com o qual você mais se identifica e melhor se adapta ao seu estilo de vida e habilidades;
  • De fornecedores aos concorrentes, pesquise tudo sobre o segmento no qual quer atuar;
  • Todo negócio leva um tempo de maturação até dar lucro. Portanto, é preciso de capital de giro para se manter nos primeiros meses de atividade da empresa. Evite contrair dívidas. Se um financiamento for indispensável pesquise bastante antes de obter recursos;
  • Capacitação: é fundamental estar por dentro de todas as etapas que o negócio exige e se capacitar para fazer frente às mudanças que a tecnologia e o mercado consumidor impõem;

“Empreender é muito sério. Aumentamos as possibilidades de sucesso à medida em que nos dedicamos de corpo e alma ao planejamento”, finaliza o professor.

Fonte: Terra