Naturalmente, à exemplo das revoluções no setor industrial no passado, a indústria 4.0, sendo uma profusão de tecnologias plicadas ao ambiente de produção, como Sistemas Cyber-Físicos (CPS), Internet das Coisas (IoT) e Internet dos Serviços (IoS), causará mudanças que afetará o mercado como um todo. Surgirão novos modelos de negócios para atender um mercado cada vez mais exigente. É nesta perspectiva de cenário que a competitividade exigirá inovação para sobrevivência e ascensão das empresas, onde o cliente passa a assumir influência direta no ciclo de negócio.

Como já alertava Cláudio Perin em seu artigo Industria 4.0 Mais Perto e Mais Simples do Que se Imagina, “o mundo vem andando em uma velocidade espantosa e será irreversivelmente online em diversos aspectos. Muitas empresas não estão sendo capazes de enxergar esse movimento, porque ele ocorre no submundo da tecnologia de maneira estrategicamente silenciosa” Moysés Simantob, professor da FGV, afirmou em entrevista para a FNQ em Revista, que a importância da inovação, de uma maneira geral, é percebida como essencial para a sobrevivência num cenário cada vez mais competitivo e globalizado, entretanto poucas empresas exercem algum tipo de iniciativa para colocá-la em prática. E isso é resultante de duas causas: a visão ultrapassada sobre inovação e o desconhecimento de ferramentas que ajudam a colocá-la em prática.

Em 2016, a consultoria “Imaginatik” identificou os maiores obstáculos dos processos de inovação nas organizações: necessidade de superar os processos burocráticos e a baixa taxa de adoção dos projetos onde os métodos de inovação são muitas vezes aplicados em contextos localizados, implicando em incapacidade de criação de sinergia e práticas escaláveis em todo o ciclo da inovação (CIO.com, 2016).

Nunca foi tão urgente a necessidade da flexibilidade, rapidez e criatividade para inovar nas empresas!

E as empresas de consultorias? Estão livres dessa necessidade de inovação? Certamente não!

As organizações optam pela contratação de consultoria por necessidade de solucionar os problemas. Mas, por vezes, se deparam com padronizações de soluções, se distanciando da construção individualizada de soluções, tão necessária para competitividade atual.

Uma consultoria empresarial é um serviço especializado em diagnosticar pontos de melhoria de uma empresa e criar planos de ação para que eles sejam resolvidos, ou seja, é um projeto que busca solucionar as dores já existentes de uma empresa. Portanto, o gerenciamento de projetos é vocação desse modelo organizacional.

Para Amaral et al. (2011), a metodologia tradicional de gerenciamento de projetos costuma trabalhar com escopo fixo, mas tempo e custo se tornam variáveis, podendo gerar grandes problemas no decorrer dos projetos, principalmente, de inovação ou P&D por possuírem alto grau de incertezas. Ficando evidente a necessidade de metodologias que promovam flexibilidade, como é o caso das metodologias ágeis, que ao contrário da tradicional, costumam trabalhar com escopo variável, enquanto tempo e custo se tornam fixos.

Na visão de Massari apud Benzecry (2017), os projetos em ambiente repleto de riscos e incertezas, complexos e inovadores, estão sujeitos a constantes mudanças, que geram retrabalho, aumento de escopo, insatisfação dos clientes e perda de prazo e orçamento quando geridos pelo método tradicional chamado “Waterfall”, enquanto que nos métodos ágeis, a divisão em pequenas fases, as entregas iterativas e a elaboração progressiva do projeto permitem maior visibilidade do produto ao cliente, amenizando tais mudanças. Tais metodologias deixam o caráter preditivo das metodologias tradicionais, e passam a ter um caráter adaptativo, se adaptando às ocorrências no decorrer do projeto.

Logo, para o processo de consultoria, o uso de ferramentas ágeis passa a ser também fundamental. Sugere-se aqui, a combinação do Design Thinking, que permite a exploração de novos territórios com a intenção de encontrar soluções potenciais para problemas; com o Sistema Lean, para comportamentos voltados à melhoria contínua na qualidade, eficiência através da reflexão e aprendizagem e organização do trabalho com foco no cliente; e o método Ágil, que otimiza a entrega através de interações baseadas em ciclos de tempo. Assim, atinge-se melhores resultados na exploração de possibilidades para entrega de valor, contínua experimentação e aprendizagem, e adaptabilidade às mudanças. Cumprindo, de forma mais efetiva, o processo de consultoria.

Lanny da Costa Uchôa Vieira
Diretora de Gestão e Projetos – Consultora

Referências:
AMARAL, Daniel C. et al. Gerenciamento ágil de projetos: aplicação em produtos inovadores. São Paulo: Saraiva, 2011.
BENZECRY, Fernando S. Metodologias Ágeis Para Gerenciamento De Projetos De Inovação e Pesquisa E Desenvolvimento. Fgv Management. Disponível em 11/04/2019. http://www.fgv.br/network/tcchandler.axd?TCCID=5498
CLAUDIO PERIN. Industria 4.0 Mais Perto e Mais Simples do Que se Imagina. Disponível em 11/04/2019. https://claudioperin.com.br/industria-4-0-mais-perto-e-simples-do-que-se-imagina/
FNQ EM REVISTA. A importância da inovação para a sobrevivência das organizações. Disponível em 11/04/2019. http://www.fnq.org.br/informe-se/artigos-e-entrevistas/entrevistas/a-importancia-da-inovacao-para-a-sobrevivencia-das-organizacoes
MASSARI, Vitor L. Conceitos e certificações de gerenciamento ágil de projetos. Disponível em:
https://www.exin.com/uploads/Official%20documents/Conceitos_e_Certifica%C3%A7%C3%B5es_de_Gerenciamento_%C3%81gil_de_Projetos_EXIN.pdf. Acesso em: 11/04/2019. EXIN, 2016.
OCDE. Manual de Frascati – Metodologia proposta para levantamentos sobre pesquisa e desenvolvimento experimental. Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 2002
OCDE. Manual de Oslo – Diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. 3.ed. Tradução de GOUVEIA, Flavia. FINEP, 1997.