Sempre que inicio um projeto de consultoria, um dos principais objetivos é compor a DRE histórica como bússola estrutural da saúde econômica e financeira do empreendimento, com retroatividade de no mínimo um ano, e analogamente projeta-la para os próximos 12 meses, tendo neste instrumento um pilar de análise de indicadores relevantes para o planejamento empresarial, não necessariamente aplicados diretamente à gestão financeira propriamente dita.

Lembro que a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é elaborada respeitando o regime de competência e de caixa, o primeiro aplicado a Contabilidade Financeira e o segundo a Contabilidade Gerencial que são pilares estratégicos à tomada de decisão.

Uma das análises que fazemos é o planejamento de férias e folgas, baseadas nas oscilações de faturamento, positivas ou negativas, visando alinhar as necessidades de concentrar mão-de-obra nos períodos de alta demanda operacional e em contra partida fazer a programação de gozo de férias ou folgas em períodos de baixa demanda de pessoal, que por consequência elimina em parte a necessidade de contratação de pessoal temporário ou realização de horas extras, que são majoradas em relação às horas normais.

A análise estatística das oscilações de vendas respeitando o contexto do mercado, ainda nos permite projetar as necessidades de reposição de estoque, considerando o custo variável da mercadoria vendida, margem de contribuição e a projeção da capacidade de pagamento da empresa em curto prazo, evitando as aquisições sem lastro financeiro e consequente desequilíbrio do fluxo de caixa.

Não poderia esquecer de citar o planejamento de marketing e vendas, pois trata-se de um pilar vital para a organização. Quando observamos o ano como um vetor, há vários fatores internos e externos que geram oscilações na linha de rentabilidade da empresa. Sem instrumentos qualificados, a ancoragem do planejamento ficaria desalinhada com o real sincronismo de oferta e demanda, comprometendo o spread da rentabilidade ao longo da curva de demanda.

Há diversos pontos relevantes de reflexão, como a alavancagem financeira ou operacional fora de tempo, motivo de fragmentação do fluxo de caixa e aumento de passivo desalinhado a taxa de crescimento natural do negócio, maquiando o endividamento. Comparo a poesia, a visão apaixonada que o empresário, senhor das informações do seu negócio, teria, se incorporasse os aspectos inerentes supra citados e os tantos mais que existem, ao contexto de suas análises e posicionamento, proporcionado neste roteiro uma visão consciente de suas análises, permitindo alta competitividade e melhores índices de sobrevivência do negócio no ambiente corporativo brasileiro de tanta instabilidade.

Sérgio Aragão
Consultor em Planejamento e Finanças, Palestrante e Instrutor