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AS FALSAS PROMESSAS DE RECOLOCAÇÃO PROFISSIONAL
Carlos José de Medeiros
15/05/2005


Os serviços de recolocação profissional proliferam no Brasil. Disso originou-se até mesmo um vocabulário próprio para designar a prestação desse tipo de serviço: Outplacement, consultoria em RH, terceirização de RH, assessoria em recolocação, gestão de carreira, headhunter, business hunter, agência de emprego, e por aí afora.

Recentemente e para ser mais exato no dia 10/04/2005, domingo, assistimos parte da edição do Programa “Fantástico” na Rede Globo de Televisão sobre as agências que vendem empregos inexistentes e só não ficamos surpresos com o que vimos e ouvimos, porque conhecemos de perto a ação dessas empresas que prometem, ou finge prometer, o emprego dos nossos sonhos.

É de se esperar que serviços profissionais de recolocação ou encaminhamento a propostas de emprego cresçam em um país como o nosso, onde a taxa média de desemprego atinge até 11% (só na região metropolitana de São Paulo chegou a atingir 16% segundo dados do IBGE). E isto por um motivo mais do que simples: só existe oferta porque existe demanda, e se a demanda for maior que a oferta...

Reflexões econômicas à parte, digamos que há que se proceder a uma seleção (e isto não é trocadilho) entre as empresas e profissionais sérios e que realmente exercem as verdadeiras funções de Consultores de Recursos Humanos e Headhunters, desempenhando suas atividades com lisura, seriedade e competência, daqueles que agem como se assim fossem.

Surpreendemo-nos com a desfaçatez e a completa falta de respeito com que certas “consultorias” agem junto aos profissionais disponíveis no mercado de trabalho, aproveitando-se de suas fragilidades momentâneas ou de sua ingenuidade, oferecendo propostas tentadoras, com salários que beiram o absurdo e pacotes de benefícios de fazer inveja a muita gente grande... E, claro, tudo isto somente se o incauto candidato se permitir o pagamento de uma taxa a título de “teste psicotécnico”, “avaliação psicológica” ou coisa parecida.

Os profissionais disponíveis no mercado de trabalho, ou que se encontram empregados e buscam uma nova oportunidade, precisam ser tratados com ética, sigilo e respeito. Muitos foram ou são executivos de grandes empresas em busca de uma recolocação digna, justa e perfeita, concorde com suas competências desenvolvidas após longos anos de estudo e trabalho.

Não podemos nos furtar de manifestar nosso repúdio a esse tipo de prática.

Insistimos que os profissionais lesados pelas tais empresas vendedoras de ilusões denunciem imediatamente esses serviços.

E para aqueles que ainda não foram abordados por essas empresas deixamos algumas dicas:
Cuidado com anúncios de jornais em letras minúsculas que oferecem vagas para cargos Executivos;

Antes de assinar qualquer contrato de prestação de serviços certifique-se do conteúdo do mesmo;
Nenhuma empresa pode oferecer vagas de emprego em troca do pagamento a qualquer título que seja;

Verifique junto aos órgãos de defesa do consumidor o registro de reclamações contra a empresa que o abordou;

Se a empresa estiver localizada fora da sua cidade ou estado, redobre o seu cuidado verificando todos os pontos antes de empreender a viagem;

Busque apoio e esclarecimento junto às instituições de classe que possam orientá-lo adequadamente.

A ABRACEM reitera o seu compromisso e respeito para com as Consultorias de Recursos Humanos e Headhunters que lutam por desenvolver um trabalho sério e competente. A estes verdadeiros profissionais, a nossa reverência; para os demais, a lei.

Carlos José de Medeiros é Consultor em Gerenciamento de Projetos e presidente da Associação Brasileira de Consultores Empresariais e Profissionais Liberais – ABRACEM.
carlos.medeiros@abracem.com.br

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